Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

.:Próximos passos:.

No seguimento da entrevista realizada a Joana Amaral, Vice-Presidente da Associação ILGA (ILGA Portugal - Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgender), decidimos efectuar as seguintes tarefas:

  • Realização de um inquérito à população de Lisboa (em Loures, Caneças, Casal de Cambra e Odivelas, a diferentes grupos etários: jovens - dos 15 aos 30 anos -, adultos - dos 31 aos 65 anos - e idosos - a partir dos 66 anos), com o objectivo de saber qual a opinião e o conhecimento geral da população em relação à homossexualidade (se está informada acerca do que é a homossexualidade, se concorda ou não com as leis que a discriminam, se tem uma ideia da percentagem de homossexuais em relação à população total), de modo a compreender qual o grau (nível elevado ou baixo de discriminação) e o tipo ou formas de discriminação predominantes, desde os comentários negativos até outras formas de rejeição mais violentas;
  • Concretização de duas entrevistas (a um gay e a uma lésbica), com o objectivo de saber quais os problemas com que são confrontados no dia-a-dia, a nível de exclusão social, e conhecer exemplos de situações desagradáveis (de discriminação) pelas quais tenham passado.


publicado por aletra_h às 13:51
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Domingo, 20 de Janeiro de 2008

.:Relatório da visita de estudo:.

O seguinte relatório foi elaborado na sequência de uma visita de estudo a Belém, Lisboa, no dia 11 de Dezembro de 2007. No Padrão dos Descobrimentos tivemos acesso ao Lisbon Experience, um espectáculo de multimédia sobre a história da cidade de Lisboa.

Este audiovisual, com muitas imagens e efeitos sonoros, mostra que muitos foram os povos que habitaram e muitas foram as épocas que definiram Lisboa.

Esta projecção audiovisual transmite, em imagens e sons, o que Portugal não mostra a olho nu: a emoção da partida para os Descobrimentos e a grandeza da nossa nação, o terramoto que destruiu Lisboa e a força dos seus habitantes em a reconstruírem, o empenho dos portugueses na conquista de Lisboa.

Ou seja, este espectáculo de multimédia permite-nos compreender a criatividade, ao longo da história, dos habitantes da capital de Portugal, isto é, do contributo que todos eles deram para permitir que Lisboa seja o que é hoje, criatividade esta que é possível abranger às restantes cidades do país, demonstrando ainda que o futuro destas cidades poderá apresentar-se positivo, amadurecido, moderno e, sobretudo, bastante criativo (não quebrando esta criatividade que se tem verificado ao longo das várias épocas). O Lisbon Experience mostra ainda Lisboa como um espaço multicultural, de coabitação, que tem história.

Como foi referido anteriormente, o audiovisual observado revela a criatividade do nosso país e as várias culturas e subculturas que nele se inserem. Assim, os homossexuais fazem parte desta diversidade, sendo considerados uma minoria, mas uma minoria importante para a maioria, que os deve aceitar como iguais.

 


publicado por aletra_h às 11:29
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

.:Entrevista à Vice-Presidente da ILGA, Joana Amaral:.

A entrevista que se segue foi realizada com os objectivos de:

  • Conhecer melhor esta instituição que apoia os homossexuais - que tipo de serviços presta e qual a finalidade das pessoas quando a ela se dirigem, por exemplo;
  • Saber qual a percentagem de homossexuais relativamente à população total;
  • Descobrir informações específicas acerca dos homossexuais: quem são, como e onde vivem, locais que habitualmente frequentam, interacções que desenvolvem entre si;
  • Perceber quais as formas de discriminação mais frequentes, além de esteriótipos/preconceitos relativamente aos homossexuais;
  • Compreender a lei actual.

Para atingir os objectivos atrás definidos, efectuámos, então, a seguinte entrevista.

- O que é a ILGA?

A ILGA é uma associação que luta pela igualdade de todas as pessoas, na sociedade. É, assim, uma associação de solidariedade social que luta pela melhoria da qualidade de vida, integração e interacção da população homossexual, lésbica, bissexual e trangender na sociedade em geral. A ILGA tem desenvolvido as suas actividades no sentido de provocar uma alteração do preconceito em relação à homossexualidade e ainda no sentido de combater a discriminação com base na orientação sexual. Como se mostra necessário, a actividade da associação não se dirige apenas aos homossexuais, lésbicas, bissexuais e trangenders, mas também a todos os que constituem a sociedade (neste caso, portuguesa).

 

- Há quantos anos foi criada e porquê a sua fundação?

A Associação ILGA foi fundada em Maio de 1995 e adquiriu personalidade jurídica em Abril de 1996, tendo, desde Novembro de 1997, sede no Centro Comunitário Gay e Lésbico de Lisboa.

 

- Que tipo de serviços presta esta associação?

Muitas das pessoas que procuram estes serviços são anónimas. Depois há outros casos em que as pessoas procuram a associação para assuntos nada relacionados com a homossexualidade, como, por exemplo, para a organização de encontros de um grupo coral. Mas quanto aos serviços de apoio a homossexuais que prestamos, são eles: uma linha telefónica de apoio e informação sobre a homossexualidade (em funcionamento desde 1 de Agosto de 1998); a manutenção de um Centro Comunitário com bar/cafetaria e um centro de documentação; atendimento psicológico e jurídico; fomento de actividades culturais, tais como teatro, música e cinema; organização anual do Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa; edição de publicações informativas de interesse para gays, lésbicas, bissexuais e trangenders; trabalho de prevenção na área do VIH/SIDA, dirigido à comunidade homossexual, bissexual e trangender; trabalho político para representar e defender os direitos dos gays, lésbicas, bissexuais e trangenders; colaboração com organizações do mesmo tipo, de modo a servir o melhor possível a comunidade gay, lésbica, bissexual e trangender portuguesa; duas edições do Guia Gay & Lésbico de Lisboa, em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa, para apoio dos visitantes estrangeiros ou de fora da capital; manutenção de uma página na Internet.

 

- Por ano, quantas pessoas, aproximadamente, se dirigem à associação, e que pessoas são essas (já assumidas, à procura de descobrir a sua homossexualidade)?

Esta pergunta é de difícil resposta, uma vez que a associação presta diversos serviços, aos quais as pessoas se dirigem por telefone, presencialmente, por carta ou por e-mail, em que não é feita uma contabilização das pessoas que nos contactam. Uma situação interessante foi o caso de uma pessoa com 87 anos que estava agora na sua fase de “coming out” e que até aí tinha vivido uma vida de mentira, infeliz, cuja mulher odiava profundamente, tendo procurado a associação confuso e com dúvidas relativamente ao que deveria fazer agora. Actualmente, as pessoas mais jovens já têm mais facilidade no acesso à informação e possuem mais referências (em livros, telenovelas, através do trabalho prestado pela Associação, campanhas realizadas, Internet), ou seja, conhecem outros casos de pessoas que também são homossexuais, não se sentindo os únicos diferentes, no mundo. Porém, esta situação depende sempre do meio em que a pessoa está inserida, da sua família, dos seus amigos.

 

- Tem uma ideia da percentagem de homossexuais relativamente à população total?

São 10%. Apesar de nunca se terem feitos estudos relativamente à percentagem de homossexuais em Portugal, temos o exemplo de estudos realizados noutros países, em que o resultado foi sempre este. Nunca quiseram fazer um estudo nesse sentido em Portugal, alegando que essa percentagem não era representativa, o que não faz sentido, uma vez que apenas sabemos se a percentagem é ou não representativa após o estudo. O jornal Expresso teve como capa, numa das suas edições, a frase “1 milhão de portugueses são gays”. Este valor (10%) inclui tanto os homossexuais assumidos como os não assumidos. Porém, as coisas nem sempre são muito claras, porque, por exemplo, como é que classificaremos uma pessoa que tem desejos homossexuais e não faz nada relativamente a isso, vivendo uma vida heterossexual? Situações como esta dificultam a clareza dos estudos, mas é aí que esta associação entra, lutando para que as pessoas percebam que ser homossexual é algo natural e que podem viver a sua vida como querem, ou seja, com liberdade de escolha no que toca à sua sexualidade. Assim, todos os estudos são relativos e têm que ser olhados com alguma reserva e saber-se em que condições foram realizados, ou seja, devemos ter em conta se a amostra utilizada é ou não representativa, porque, por exemplo, se fizermos um inquérito à porta do metro, apenas saberemos a opinião das pessoas que andam de metro.

 

- Quem são? Onde vivem? Como vivem?

Qualquer pessoa pode ser homossexual, desde o médico ao canalizador. A homossexualidade não se vê. Depois há muitas pessoas fingem que não são gays ou lésbicas, o que se explica pelo facto de a sociedade reprimir e pressionar no sentido de cada um dever enquadrar-se num determinado papel e fazer o que é considerado normal. Um exemplo desta pressão social é uma mãe dizer a um filho “Isto é para quando te casares”.

 

- Há locais especialmente frequentados por homossexuais? Quais?

Há muitos bares com características particulares, como bares maioritariamente frequentados por homens, por góticos, por pessoas mais velhas, por pessoas mais jovens. Penso que os homossexuais procuram principalmente sítios onde podem exprimir livremente a sua homossexualidade, uma vez que ainda há discotecas, bares, restaurantes e outros locais públicos onde um casal gay nem sequer pode dar a mão, pois é imediatamente chamado à atenção.

 

- Há redes específicas de interacção/relação entre homossexuais?

Não. Os homossexuais interagem entre si da mesma maneira que os heterossexuais. Mas, por exemplo, o centro comunitário desta associação é um bom local para os homossexuais se relacionarem, trocando ideias, medos, opiniões.

 

- O que tem a dizer acerca da forma como os homossexuais assumem (ou não) a sua homossexualidade?

A forma como o fazem ou não é com cada um… Enquanto activista, eu gostaria que toda a gente assumisse a sua homossexualidade (ou outra coisa qualquer), porque as pessoas, ao esconderem, não conseguem ser felizes. Porém, nunca terei vontade de obrigar alguém para quem assumir seja pior, como, por exemplo, alguém que vive numa família profundamente homofóbica, para quem assumir a sua orientação sexual será transformar a sua vida num “inferno”. Assim, reformulando a minha ideia inicial, eu gostaria que toda a gente tivesse condições para se assumir. Ainda é muito difícil, na escola, no emprego, na família uma pessoa assumir-se e não ouvir uma única boca. E é ainda mais complicado o facto de uma pessoa ter de se assumir todos os dias, por exemplo, quando conhece uma pessoa e lhe fala acerca da sua vida, ou mesmo a cada segundo, quando, por exemplo, anda de mão dada com o/a seu/sua parceiro/parceira na rua.

 

- Quais as formas de discriminação mais frequentes e por quem são praticadas?

A discriminação em relação aos homossexuais é praticada por todos, desde os mais jovens aos mais velhos. Então, não é, realmente, uma questão de gerações. A discriminação começa logo na lei, em que gays e lésbicas, apesar de participarem igualmente no seio da sociedade, ou seja, com os mesmos deveres e obrigações que os outros indivíduos (por exemplo, no pagamento de impostos), não têm os mesmos direitos que os restantes cidadãos. Um exemplo de uma forma de discriminação grave, na lei, é relativamente ao casamento (casamento homossexual proibido). Posso ainda referir um inquérito que a Associação fez a diversos bancos, questionando-lhes se prestariam ou não crédito a um casal do mesmo sexo: alguns referiram que não viam problema algum nesse sentido, contudo, outros responderam que nem pensar.

Idosos, mulheres, homens, pessoas de outras religiões e de outras raças, estrangeiros são palavras que muitas vezes se ouvem por parte dos políticos e governantes. Porém, a palavra homossexual jamais sai das suas bocas. Ou seja, todas as outras discriminações são mencionadas, excepto a que se faz em relação aos homossexuais: é necessário tornar a cidade mais fácil, em termos de circulação, para os deficientes, temos que ajudar pessoas de etnias diferentes da nossa, é preciso construir edifícios para jovens ou idosos, e por aí fora. Enquanto isso, é como se os homossexuais não existissem, o que, a meu ver, é uma forma de discriminação bastante pesada. Assim, para mim, a maior discriminação é o silêncio.

Além da discriminação na lei, já mencionada, há muitas outras relativamente aos comentários que as pessoas tecem acerca dos homossexuais.

Aqui, na associação, não gostamos da tolerância, mas sim da igualdade, do ver os homossexuais como pessoas iguais a todas as outras, porque nós podemos não gostar de uma coisa, mas continuar a tolerá-la, apesar dela nos incomodar bastante. Nós também lutamos no sentido de mudar isso.

 

- Indique alguns “estereótipos” ou preconceitos acerca dos homossexuais.

É importante mencionar, desde já, que todos eles são errados, o que não significa, como é óbvio, que todos os homossexuais sejam pessoas fantásticas. Quanto a estereótipos, existem todos os que vocês possam imaginar, começando pelos dois mais comuns: os gays são efeminados e as lésbicas são masculinas.

 

- O que pensa acerca da lei actual?

A lei actual, em relação à união de facto entre homossexuais, não se encontra regulamentada, ou seja, está em vigor mas não existem critérios que expliquem o que se deve fazer em cada situação. Os dois principais direitos que importam combater, actualmente, são o casamento e a adopção por parte de pessoas homossexuais, vindo, posteriormente, outros tópicos atrás ainda por resolver. Quando foi alterado o artigo 13 da Constituição, relativamente à não discriminação em função da orientação sexual, a lei devia, a partir daí, permitir tudo, desde o casamento à adopção, porém, as coisas não se desenrolaram nesse sentido de igualdade.

 

- Que outras associações apoiam os homossexuais?

Existem muitas outras associações que apoiam os homossexuais, em Portugal, tais como a Associação Cultural Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa,  o Clube Safo, a Gayteenportugal, a Não te prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais, a Panteras Rosa – Frente de Combate à Homofobia, a PortugalGay.Pt, a Rede ex aequo, a OPUSGAY, entre outras. Já existiram muitas outras, como, por exemplo, o grupo Nós, no Porto, e a Associação Ursos de Portugal.

Normalmente, estas associações mantêm relações. No caso da ILGA, apenas temos relações institucionais cortadas com a OPUSGAY, uma vez que achamos errado esta associação defender que os homossexuais não se devem casar. A justificação do ex presidente da associação, António Serzedelo, foi que “ninguém morre se não se casar”, o que, na minha opinião, não faz qualquer sentido. Assim, temos posições completamente diferentes, não se justificando a permanência de relações institucionais entre ambas as associações.

 

- Ajude-nos a pensar sobre o que se poderá fazer à volta da relação “Homossexualidade e o futuro das cidades portuguesas”.

Todas as cidades deviam ter, pelo menos, um centro comunitário e um centro de apoio a homossexuais (apoio jurídico, psicológico, informativo). Em todas as comunidades, era importante resolver a situação de casais idosos homossexuais em lares (proibidos de partilharem o mesmo quarto). É ainda necessário criarem-se mais obras que abordem a diferença, uma vez que, em Portugal, apenas um livro o faz.

Após a realização desta entrevista, foi-nos possível concluir, mais uma vez, que a exclusão é evidente, desde as pessoas que, no dia-a-dia, criticam abertamente os homossexuais, até aos órgãos do poder, na execução das leis, que demonstram uma falta de igualdade entre hetero e homossexuais. Compreendemos, também, que as tarefas levadas a cabo por estas instituições são bastante importantes, na medida em que apoiam activamente os homossexuais, dando-lhes uma sensação de maior comodidade com a sua opção sexual. Por último, percebemos que os homossexuais levam uma vida em muito parecida com a dos heterossexuais, algo que pensávamos ser verdade desde o princípio. O que nos surpreendeu nesta conversa foi o facto de, provavelmente, os homossexuais representarem apenas 10% da população total.


publicado por aletra_h às 14:13
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